Todos nos beneficiamos e nos orgulhamos das
conquistas da vida moderna, especialmente da crescente
velocidade com que fazemos as coisas acontecerem. Mudanças que antigamente levavam séculos para se efetivarem, agora podem ser realizadas em poucas semanas, ou
até em poucos dias.
Nas sociedades tradicionais, as normas de conduta, as leis tinham uma extraordinária capacidade de perdurar. Tudo se modificava, mas sempre muito devagar.
Também na utilização dos meios de transporte, o tempo
transcorria com lentidão. A partir da metade do século
XIX, foram sendo adotados meios de locomoção mais
velozes. Na utilização dos meios de comunicação, o que
existia foi substituído pelas maravilhas da eletrônica
contemporânea. Não somos bobos, tratamos de aproveitar as possibilidades criadas por todos os novos recursos
tecnológicos. Para que perder tempo, se podemos fazer
depressa o que nossos antepassados só conseguiam fazer devagar, por que não haveríamos de acelerar nossas
ações?
Um dos expoentes do espírito pragmático da modernidade, o americano Benjamin Franklin, já ensinava
no século XIII: “Tempo é dinheiro”. E explicava: se você
desperdiça a possibilidade de ganhar uma moeda, não
está perdendo apenas a moeda que deixou de ganhar,
mas de fato está se privando das muitas pilhas de moedas que poderia adquirir por meio de bons e oportunos
investimentos. Foi para assimilar a lição de Franklin que
passamos a necessitar de relógios cada vez mais precisos
e aperfeiçoados. Devemos medir rigorosamente o tempo
para poder aproveitá-lo com rigor.
Dedicamo-nos, então, a uma frenética corrida
contra os ponteiros do relógio. Para sermos eficientes,
competitivos, apressamos cada vez mais nossos movimentos. Saímos de casa correndo para o trabalho, somos
cobrados para dar conta correndo de nossas tarefas e —
habituados à corrida — alimentamo-nos às pressas, para
depois voltarmos, correndo para casa. Sabemos que, na
nossa sociedade, os mais rápidos são os vitoriosos.
Impõem-se, contudo, algumas perguntas: nas
condições em que somos obrigados a viver, não estaremos pagando um preço altíssimo, mesmo se formos
bons corredores e nos mostrarmos aptos para vencer?
Uma reflexão condenada a desenvolver-se num exíguo
prazo predeterminado não será, inevitavelmente, superficial? O pensamento que se formula rapidinho não tende a ser sempre meio oco?
(KONDER,Leandro,in O Globo,29 set.1996. Apud:A palavra:
expressão e criatividade. Gil Carlos Pereira. São Paulo: Moderna.
1997. P. 47. Texto adaptado.).
Analise o fragmento: “ Devemos medir rigorosamente o tempo...” Marque a alternativa que apresenta a
classe gramatical das palavras dessa frase:
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