Aspas têm sido úteis no decorrer da minha vida e, imagino, na de
inúmeras pessoas também. Na escola, ao usá-las pela primeira vez
numa redação, provoquei até emoção na professora. Ganhei elogios.
Coisa de que nunca se esquece.
Utilizar aspas em uma palavra ou expressão não significa perdão
ou redenção. É falso, também, dizer que amenizam o próprio conteúdo
ou o impacto dessas expressões. Ao contrário, todo pensamento escrito,
sinalizado ou falado “entre aspas” vale mais ainda, e por duas razões.
Primeiro: usar aspas é uma escolha consciente. Não decidimos
abrir aspas pela ameaça de um revólver na cabeça, por chantagem
emocional ou financeira. Palavras e expressões entre aspas são
selecionadas com autonomia e independência e, assim, refletem e
registram opiniões e intenções.
Segundo, ao usar aspas, a pessoa faz uma denúncia de si mesma.
Algo do inconsciente humano vive precisamente entre o abre aspas e o
fecha aspas. Ao utilizá-las, revelamos um pouquinho do que
habitualmente escondemos ou contamos só pela metade, devagarinho,
de modo a ir calibrando a reação da sociedade, de quem amamos, de
qualquer pessoa ou grupo que nos afete.
Apenas nos últimos dias ecoou dentro de mim um alerta sobre o
uso das aspas, pois me dei conta de que esse sinal gráfico em forma de
pequenas alças – como as aspas são descritas nos dicionários – é de
uso arriscado, enganoso e potencialmente danoso. Seu uso, hoje
deduzo, não é tão inofensivo.
(Cláudia Werneck. Aspas nunca mais. www1.folha.uol.com.br, 08.09.2021. Adaptado)
Julgue os itens abaixo quanto às afirmações gramaticais
feitas no texto e depois avalie como se pede.
( ) No fragmento do 1º parágrafo “Aspas têm sido úteis no decorrer
da minha vida e, imagino, na de inúmeras pessoas também.”,
os vocábulos “têm” e também” são acentuados pelo mesmo
motivo.
( ) No trecho “Coisa de que nunca se esquece.”, a preposição em
destaque é obrigatória, uma vez que seu uso se baseia no
aspecto de Regência verbal.
( ) No 2º parágrafo, o fragmento “É falso, também, dizer que
amenizam o próprio conteúdo ou o impacto dessas expressões.” possui em destaque uma oração subordinada
substantiva com função de objeto direto.
( ) No 3º parágrafo, no fragmento “Não decidimos abrir aspas pela
ameaça de um revólver na cabeça, por chantagem emocional
ou financeira.”, as preposições destacadas possuem valor
semântico de modo.
( ) No 4º parágrafo, no fragmento “de qualquer pessoa ou grupo
que nos afete.”, poderia ser acrescentada a preposição “a”
antes do pronome relativo “que” de modo facultativo.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as
falsas, tem-se pela ordem:
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