As noções de coesão e coerência foram sofrendo
alterações significativas no decorrer do tempo.
Inicialmente, os dois conceitos praticamente se
confundiam e, por isso, os dois termos eram, muitas
vezes, usados indiferentemente. Mas, à medida que
se modificava a concepção de texto, eles passaram a
diferenciar-se de forma decisiva.
O primeiro passo foi constatar que a coesão não é
condição necessária nem suficiente da coerência: as
marcas de coesão encontram-se no texto, enquanto
a coerência não se encontra no texto, mas constrói-se
a partir dele, em dada situação comunicativa, com a
mobilização de uma série de fatores de ordem discursiva, cognitiva, situacional e interacional. Assim, o
sentido de um texto é construído na interação texto-sujeitos. Em um segundo momento, percebeu-se que
a distinção entre coesão e coerência não podia ser
estabelecida de maneira radical, como se fossem fenômenos independentes.
Alguns tipos de coerência:
Coerência sintática – Diz respeito ao uso adequado
das estruturas linguísticas, bem como dos recursos
coesivos que facilitam a construção da coerência
semântica, como pronomes, sintagmas nominais
referenciais definidos e indefinidos, conectores etc.
Coerência semântica – Refere-se às relações de sentido
entre as estruturas – palavras ou expressões presentes
no texto. Para que um texto seja semanticamente
coerente, não deve conter contradição de conteúdos.
Coerência temática – Exige que os enunciados de um
texto sejam relevantes para o tema ou tópico discursivo em desenvolvimento. Coerência pragmática – Está
relacionada aos atos de fala que o texto pretende
realizar, obedecendo às condições para a sua realização. Por exemplo, não é possível ao locutor, em um
mesmo ato de fala, perguntar e asseverar, e assim por
diante. Coerência genérica – Diz respeito às exigências
do gênero textual, determinado pela prática social no
interior da qual o texto é produzido, considerando-se
as condições de produção inerentes a essas práticas.
KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e compreender: os sentidos do texto. 2. ed.
São Paulo: Contexto, 2006, p. 186-205. [Adaptado.]
O primeiro passo foi constatar que a coesão não é
condição necessária nem suficiente da coerência: as
marcas de coesão encontram-se no texto, enquanto
a coerência não se encontra no texto, mas constrói-se
a partir dele, em dada situação comunicativa, com a
mobilização de uma série de fatores de ordem discursiva, cognitiva, situacional e interacional. (2º parágrafo)
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as
falsas ( F ), com base no trecho extraído do texto.
( ) Os dois-pontos são usados para anunciar uma
síntese do que foi dito antes.
( ) O pronome sublinhado em “encontram-se” e
“não se encontra” pode alterar a ordem em
relação ao verbo, nas duas ocorrências, sem
ferir a norma culta escrita da língua.
( ) A palavra “enquanto” pode ser substituída por
“ao passo que”, sem prejuízo de significado no
texto.
( ) A conjunção “mas” pode ser substituída por “e
sim”, sem prejuízo de significado no texto.
( ) A preposição “com” introduz um adjunto
adverbial de companhia.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta,
de cima para baixo.
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