Instrução: Leia atentamente o texto e responda à questão.
Os filhos do sim
[...]
Os jovens de hoje formam uma geração que pode tudo, com acesso livre a todas as informações, que
têm diante de si enorme variedade de ofertas de consumo. Biscoitos, por exemplo, antigamente só havia dois
ou três tipos de biscoito doce. Hoje, em qualquer lojinha de posto de gasolina, há prateleiras inteiras de
biscoitos de todos os tipos: recheados ou não, com chocolate amargo ou de leite, com nozes ou passas, tudo.
Biscoitos demais. Mas, para quê? Inútil paisagem. Não se pode comer. E quem proíbe? São eles mesmos, os
jovens.
Eles mesmos inventaram aquilo que não se pode fazer. Precisaram criar suas próprias
impossibilidades – talvez pelo excesso de vezes em que ouviram um sim dos pais. Porque o ser humano
precisa do proibido. Então, agora é proibido comer, é proibido não ter músculos, é proibido ser feio, é
proibido envelhecer. O padrão de beleza vigente é irreal. Parece ter sido criado apenas para fazer sofrer –
pois é inalcançável. Qualquer mocinha que não viva à base de alface e água – a não ser as que, por natureza,
tenham a sorte de ser excessivamente magras – vai se olhar no espelho e chorar porque não tem aquele
aspecto de campo de concentração que se vê nos anúncios de moda (incluindo os olhares, tão tristes).
É essa a vida dos jovens hoje. Coitados. São filhos do sim.
(SEIXAS, Heloísa. O amigo do vento. São Paulo: Moderna, 2015. Adaptado.)
O uso do diminutivo na língua portuguesa apresenta mais funções que apenas indicar diminuição de
tamanho, como no texto a palavra mocinha, em Qualquer mocinha que não viva à base de alface e água,
indica amabilidade. Em qual alternativa o diminutivo traz ideia de desprezo?
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