"Ascende" dizia o ascensorista. Depois: "Eleva-se".
"Para cima". "Para o alto". "Escalando". Quando
perguntavam "Sobe ou desce?" respondia "A primeira
alternativa". Depois dizia "Descende", "Ruma para baixo",
"Cai controladamente", "A segunda alternativa"... "Gosto de
improvisar", justificava-se. Mas como toda arte tende para o
excesso, chegou ao preciosismo. Quando perguntavam
"Sobe?" respondia "É o que veremos..." ou então "Como a
Virgem Maria". Desce? "Dei" Nem todo o mundo
compreendia, mas alguns o instigavam. Quando
comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em
elevador ele não respondia "tem seus altos e baixos", como
esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que
trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu
sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse
para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque
substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno,
automático, daqueles que têm música ambiental, disse: "Era
só me pedirem — eu também canto!"
Fonte: Luis Fernando Verissimo.
No trecho “Nem todo o mundo compreendia, mas alguns
o instigavam”, o termo sublinhado refere-se:
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