O século 21, tudo indica, não será mais predominantemente norte-americano e menos ainda europeu. Com velocidade surpreendente, envelheceu a ideia de uma modernidade baseada na expansão contínua da mercantilização de
todas as coisas e de todas as relações humanas. Já podemos
dizer com certeza que a modernidade dita neoliberal, que se
disseminou com o colapso do socialismo de Estado, pecou
por déficit crescentemente intolerável de imaginação política.
A interdependência entre os sistemas econômicos deu muitíssimos passos à frente, com a circulação instantânea do
dinheiro, a mundialização das cadeias de valor, a mobilidade
intensa de mercadorias e pessoas. E uma vasta classe média
global, apesar das desigualdades, apareceu no cenário.
Tornamo-nos, existencialmente, interdependentes, até
mesmo num sentido particularmente negativo, com a crise –
inédita e crescente – das relações com a natureza, a disseminação de armas nucleares e a possibilidade de aplicação de
inteligência artificial aos conflitos armados. De nenhum desses
possíveis desastres, como é óbvio, estará a salvo qualquer
povo eleito ou nação excepcional. Sem política, e deixado
a si mesmo, esse movimento das coisas pareceu, e parece, dotado de uma inquietante autonomia, acontecendo fantasmagoricamente acima da consciência e da ação coletiva.
Sempre se soube que a unidade tendencial do gênero
humano, este belo sonho multissecular, não se daria como
um processo automático e sem turbulência, ainda que a complexidade das situações recorrentemente nos espante. O descompasso entre o mundo amplo da economia e o âmbito estritamente nacional da política terminou por produzir seus frutos
daninhos na forma de uma imensa crise da globalização.
(Luiz Sérgio Henriques, “O Brasil no espelho do mundo”.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/opinião)
Observe o sentido das expressões destacadas nesta
passagem do 2° parágrafo:
Tornamo-nos, existencialmente, interdependentes, até
mesmo num sentido particularmente negativo, com a
crise – inédita e crescente – das relações com a natureza, a disseminação de armas nucleares e a possibilidade de aplicação de inteligência artificial aos conflitos
armados.
Assinale a alternativa em que essas expressões estão
substituídas, respectivamente, sem prejuízo ao sentido
original.
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