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#2280118

Afirmar que a formação do Estado brasileiro foi um processo de grande complexidade não apresenta nenhuma novidade, e a historiografia recente tem revelado razoável consenso quanto a evitar o equívoco de reduzi-lo à ruptura unilateral do pacto político que integrava as partes da América no império português. (István Jancsó e João Paulo G. Pimenta. “Peças de um mosaico (ou apontamentos para o estudo da emergência da identidade nacional brasileira)”. Em: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem incompleta. A experiência brasileira. Formação: histórias (1500-2000).)

Tal “grande complexidade” pode ser verificada na obra de

  • Sérgio Buarque de Holanda, que aboliu definitivamente a dicotomia entre “brasileiros” e “portugueses” como chave de explicação para o processo de emancipação política do Brasil.
  • Capistrano de Abreu, que defendeu a importância dos aspectos culturais para a compreensão do processo de separação de Brasil e Portugal, porque os colonizadores condenavam a miscigenação étnica brasileira.
  • Emília Viotti da Costa, que apontou para a aliança entre o príncipe-regente D. Pedro e parcela considerável dos proprietários rurais, estes interessados na extinção do tráfico de escravos.
  • Laura de Melo e Souza, que analisou a tendência liberal-democrática da elite colonial em forte contraposição com a arraigada ideologia absolutista da elite metropolitana, especialmente dos comerciantes.
  • Caio Prado Júnior, que advogou a tese de que a independência do Brasil decorreu da vigorosa articulação das classes médias urbanas com os comerciantes do Nordeste, todos interessados no livre comércio.
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