A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para
tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou
adiando o momento de escrever. A perspectiva me
assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com
êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do
irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas
recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo
humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de
ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.
Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de
esquina, quer nas palavras de uma criança ou num
acidente doméstico, torno-me simples espectador e
perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar,
curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do
poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu
último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto.
Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem
os assuntos que merecem uma crônica.
[Trecho inicial do texto A última crônica, de Fernando Sabino]. Disponível em:
https://contobrasileiro.com.br/a-ultima-cronica-fernando-sabino/. Acesso em: 03 jan. 2024.
Em qual das alternativas as palavras, retiradas do
texto, são acentuadas pela mesma razão?
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