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#2202509

Algo que me deixava irritado era a improdutiva polêmica se cinema é arte ou não: já não me irrito, porque percebi que os que dizem não, o fazem apenas por esporte. O esporte de irritar os outros. Todo filme em potencial faz pensar. Do mais bobo ao mais hermético. E o mais bobo pode ser muito mais filosófico do que o hermético. Entretanto, quando a função é exclusivamente entreter, ainda que faça pensar (acidentalmente), será mais pobre. Então, se a função é de saída pensar, a chance de ser mais rico é maior. 
(Paranhos, 2003.In: Revista Filosofia, Ciência & Vida. Nº 4. Editora Escala Educacional, p. 56.)
Em pouco tempo o cinema se tornou uma indústria; e hoje não podemos falar sobre ela sem mencionarmos a indústria cultural. Nos deparamos, às vezes, com uma banalização generalizada e com uma crescente padronização dos produtos culturais, que cada vez mais se apresentam simplificados. Na lógica da indústria cultural: 

  • O próprio cinema, em qualquer circunstância, se torna mera mercadoria e perde por completo a essência primeira do que seria arte, procurando, ao invés de romper padrões, reproduzi-los.
  • Nas primeiras décadas do século XX, a indústria cinematográfica veio desconectada do meio capitalista e, portanto, de uma forma rústica e elementar, totalmente dissociada do interesse das massas.
  • O cinema foi considerado por muitos como a união de todas as outras artes, e a obtenção do lucro foi um de seus objetivos principais, o que é também a lógica máxima da sociedade capitalista como um todo.
  • Temas culturais, políticos e outros do cotidiano, ao serem representados através de temáticas bem específicas, perdem a caracterização da arte cinematográfica enquanto instrumento alienador e propagador do modo fetichista.
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