[...] Quando as mulheres feras invade o meu barraco, os meus
filhos lhes joga pedras. Elas diz:
– Que crianças mal iducadas!
Eu digo:
– Os meus filhos estão defendendo-me. Vou escrever um livro
referente a favela. Hei de citar tudo que aqui se passa. E tudo
que vocês me fazem. Eu quero escrever o livro, e vocês com
estas cenas desagradaveis me fornece os argumentos.
21 de julho –
...Estou residindo na favela. Mas se Deus me ajudar hei de
mudar daqui. Espero que os políticos estingue as favelas. [...].
22 de julho
Que suplicio catar papel atualmente! Tenho que levar a minha
filha Vera Eunice. Eu ponho o saco
na cabeça e levo-a nos braços. Tem hora que revolto-me.
Depois domino-me. Ela não tem culpa de estar no mundo.
13 de maio de 1958 –
É um dia simpatico para mim.
É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos
escravos.
A Vera começou pedir comida. E eu não tinha.
Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela logo deu-me a
banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos.
E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a
escravatura atual– a fome! (Quarto de despejo – diário de uma
favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1960. ______._____.
São Paulo: Ática, 2001)
No texto, a autora escreve por diversas vezes empregando o
pronome oblíquo enclítico. Apesar de ser a regra geral da
norma culta, ela o fez em frases nas quais o adequado à variante
padrão seria a próclise, exceto em:
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