Há um conhecido conto do escritor Hans Christian Andersen,
datado de meados do séc. XIX, o qual, admitidas algumas
variações e versões, remete a uma estória em que certos
golpistas que, diante da excessiva vaidade de um rei, aplicam-lhe um golpe. Prometem vestes maravilhosas e especiais, a
custos altíssimos. Quando indagados pelo rei sobre as suas
vestimentas, os vigaristas afirmam, diante de uma mesa vazia:
– Aqui estão elas. O rei, por sua vez, para não admitir sua
ignorância diante dos desconhecidos marcou um desfile para a
apresentação daquelas “nobres e maravilhosas” vestes.
No dia do desfile, o rei surge absolutamente nu, com servos
segurando a sua cauda invisível. Os súditos ao seu redor, em
razão da reação e das palavras do rei acerca das suas vestes,
seguem espelhando a ilusão de que estaria o rei integralmente
vestido. Até que um menino grita: – O rei está nu! Ocasião em
que todos se permitiram acreditar que, diante de seus olhos, de
fato, sempre esteve o rei nu, tal como a realidade lhes
entregava. Com vergonha, por um período, o rei se recolheu.
A linha entre o que vive a Justiça do Trabalho nos últimos
tempos e o conto que ultrapassa os séculos é mais tênue do
que se pode imaginar.
ALLAN, Nuredin Ahmad. O rei não ficou nu sozinho: a atual situação da
O excerto é a introdução de um artigo de opinião, no qual se
identifica a intertextualidade com um conhecido conto
literário. Esse fator de organização textual é feito por meio
de uma
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