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#3691394

No século XVII surgiu uma célebre controvérsia sobre a forma da Terra. Isaac Newton, com base em sua teoria da gravitação universal e na rotação terrestre, previa que a Terra deveria ser um esferoide oblato (achatado nos polos). Já a família Cassini, apoiada em medições de arcos meridianos na França, defendia que a Terra seria um esferoide prolato (alongado nos polos). No século XVIII, expedições da Academia de Ciências da França mediram arcos de meridiano em diferentes latitudes, obtendo os seguintes resultados aproximados:

● Arco de 1° de latitude no Equador: 110,57 km. ● Arco de 1° de latitude na Lapônia (próximo ao Polo Norte): 111,95 km.

A interpretação desses valores, considerando a noção de raio de curvatura do meridiano, levou à conclusão de que 

  • como o arco no Equador é menor, isso revela curvatura maior nessa região, mas tal resultado apontaria para uma Terra prolata, em contradição com Newton.
  • a diferença entre os valores é desprezível diante dos erros de medição, o que reforça a hipótese de uma Terra praticamente esférica, conforme sustentavam os Cassini.
  • o arco maior na Lapônia indica que o raio de curvatura meridiana aumenta em direção aos polos, o que caracteriza a Terra como oblata, em conformidade com a previsão de Newton.
  • se a Terra fosse oblata, esperar-se-ia que o arco de 1° no Equador fosse maior; como ocorreu o contrário, os dados não confirmam o achatamento previsto por Newton.
  • a proximidade numérica entre os dois arcos mostra que não há variação sistemática com a latitude, logo não se pode inferir achatamento polar a partir dessas medidas.
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