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#2117950

[...]. A Igreja recomendava aos pais batizar seus filhos assim que possível. O batismo de crianças livres ou escravas era ministrado por párocos ou capelães, sem delongas, para garantir aos inocentes que morressem a chance de ir direto ao Céu sem passar pelo Purgatório. Escravos adultos eram batizados em ritos extremamente sumários e, na maior parte, coletivos. Na intimidade, a preocupação com o crescimento dos filhos era recorrente. Testamentos feitos entre os séculos XVII e XVIII registram instantâneos de como se concebia a criação da prole: aos machos devia se ensinar a ler, escrever e contar. Às fêmeas, coser, lavar e os bons costumes; ambos deviam sempre ‘apartar-se do mal e chegarse ao bem [...].
(PRIORE, Mary Del. Ritos da vida privada. p.276-330. In: SOUZA, Laura de Mello. (Orgs.). História da Vida Privada no Brasil – Cotidiano e vida privada na América portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. v.1. p. 311).
A privacidade na colônia era realizada mediante diversos ritos cotidianos que

  • seguiam as orientações da metrópole, a exemplo do respeito às tradições da Igreja Católica, que, ao estabelecer o batismo do escravo e sua posterior aceitação da fé, dotava-o de condições diferenciadas no universo colonial.
  • estão evidenciados no papel atribuído à mulher nesse ambiente, tida como responsável pelo controle do lar, educação dos filhos e auxiliar do cônjuge nas questões de interesse público.
  • permitiam aos habitantes da colônia, independente de sexo ou condição jurídica, aprender a ler, escrever e a contar, além de desenvolver bons costumes como rezar antes das refeições, toda manhã e à noite.
  • pontuavam o curso regular das coisas cotidianas, o fundo permanente de pequenos e grandes acontecimentos diários, produzindo o tecido mesmo de existência humana daquela sociedade colonial.
  • colocavam o batismo como um sacramento que protegia a criança colonial do universo do mal, ou seja, no caso de morte ela era guiada direta ao céu, rito frequente apenas em áreas da grande lavoura.
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