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#3017726

Leia o Texto a seguir.
Ora, se o domínio da norma culta fosse realmente um instrumento de ascensão na sociedade, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social, econômica e política do país, não é mesmo? Afinal, supostamente, ninguém melhor do que eles domina a norma culta. Só que a verdade está muito longe disso como bem sabemos nós, professores, a quem são dirigidas grandes críticas de nossa sociedade.
Por outro lado, um grande fazendeiro que tenha apenas alguns poucos anos de estudo primário, mas que seja dono de milhares de cabeças de gado, de indústrias agrícolas e detentor de grande influência política em sua região vai poder falar à vontade sua língua de “caipira”, com todas as formas sintáticas consideradas “erradas” pela gramática tradicional, porque ninguém vai se atrever a corrigir seu modo de falar. (BAGNO, 2015, p.105)
Disponível em http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/ producoes_pde/pdf > Acesso em 10/10/2023. (Adaptado).
O autor apresenta questões bastante pertinentes aos fenômenos linguísticos e seus mitos, principalmente ao relacionar situações-problemas ao uso da linguagem. Para Bagno, é CORRETO afirmar que o mito em torno do uso da língua está relacionado a:

  • a um preconceito linguístico que tem suas raízes no paternalismo e no patriarcalismo responsáveis pela ascensão das classes sociais no Brasil.
  • a diferenças, muitas vezes, julgadas de forma negativa, colocando ainda que a função do professor de português muitas vezes é tentar corrigir essa fala errada.
  • aos livros didáticos que avançaram muito nas questões acerca do preconceito linguístico e variação linguística, propondo o respeito à diversidade cultural.
  • a uma exacerbação da norma culta que acaba anulando esse discurso progressista em relação às variáveis linguísticas.
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