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#2381170

Na exata medida em que a iniciação é, inegavelmente, uma comprovação da coragem pessoal, esta se exprime – se é que podemos dizê-lo – no silêncio oposto ao do sofrimento. Entretanto, depois da iniciação, já esquecido todo sofrimento, ainda subsiste algo, um saldo irrevogável, os sulcos deixados no corpo pela operação executada com a faca ou a pedra, as cicatrizes das feridas recebidas. Um homem iniciado é um homem marcado. O objetivo da iniciação, em seu momento de tortura, é marcar o corpo: no ritual iniciatório, a sociedade imprime sua marca no corpo dos jovens. Ora, uma cicatriz, uma marca, são indeléveis (...) A marca é um obstáculo ao esquecimento, o próprio corpo traz impressos em si os sulcos da lembrança – o corpo é uma memória (CLASTRES, Pierre. A sociedade contra o Estado. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora S.A., 1988, p.128)


No referido trecho, o antropólogo francês Pierre Clastres, demonstra como nas chamadas sociedades primitivas o corpo tinha o status de uma escritura, sobre a qual as normas, os costumes sociais eram inevitavelmente inscritos. Diante disto, qual a alternativa que NÃO se aproxima do debate por Clastres:

  • O cultural e o biológico estão intrinsicamente relacionados.
  • O corpo pode ser lido como um território da Cultura
  • Da mesma forma como os aspectos culturais, as relações de dominação podem ser “lidas” no corpo.
  • O corpo observado pela metáfora do texto, cujas inscrições nos permitem entender os costumes.
  • A cultura tenta livrar os indivíduos de suas marcas, por meio dos ritos de iniciação.
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