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#1968768
Texto da Questão:

                      Canção Final


Oh! se te amei, e quanto!

Mas não foi tanto assim.

Até os deuses claudicam

em nugas de aritmética.

Meço o passado com régua

de exagerar as distâncias.

Tudo tão triste, e o mais triste

é não ter tristeza alguma.

É não venerar os códigos

de acasalar e sofrer.

É viver tempo de sobra

sem que me sobre miragem.

Agora vou-me. Ou me vão?

Ou é vão ir ou não ir?

Oh! se te amei, e quanto,

quer dizer, nem tanto assim.

                                                  DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Canção Final.

           Disponível em:<http://zip.net/bkksnp>. Acesso em: 6 nov. 2015 (Adaptação).

Ao afirmar que “até os deuses claudicam em nugas de aritméticas” (linhas 3 e 4), o eu lírico expressa:

  • uma explicação – uma medição equivocada que busca exagerar distâncias pela tentativa do eu lírico de se aproximar da superioridade divina.
  • uma ênfase – há uma elevação da referência divina de claudicar assuntos. Esse destaque da postura dos deuses é o mesmo dado ao sentimento do eu lírico.
  • uma mudança de assunto – para tirar o foco da admissão de um sentimento insuficiente, o eu lírico introduz características comuns aos deuses, causando, assim, uma impressão menos condenável do que causaria se mantivesse sua linha de raciocínio no âmbito do terreno.
  • uma justificativa – se até os deuses falham sobre assuntos de menor importância, meros humanos imperfeitos, como o eu lírico, podem apresentar defeitos no que diz respeito aos sentimentos.
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