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#2577224

“Classe e não classes, por razões cujo exame constitui um dos objetivos deste livro. Evidentemente, há uma diferença. ‘Classes trabalhadoras’ é um termo descritivo, tão esclarecedor quanto evasivo. Reúne vagamente um amontoado de fenômenos descontínuos. Ali estavam alfaiates e acolá tecelãos, e juntos constituem as classes trabalhadoras.

Por classe, entendo um fenômeno histórico, que unifica uma série de acontecimentos díspares e aparentemente desconectados, tanto na matéria-prima da experiência como na consciência. Ressalto que é um fenômeno histórico. Não vejo a classe como uma “estrutura”, nem mesmo como uma ‘categoria’, mas como algo que ocorre efetivamente (e cuja ocorrência pode ser demonstrada) nas relações humanas”.

(THOMPSON, E. P. A Formação da classe operária inglesa. Vol I. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, p. 9)


A nova história social inglesa é um marco na historiografia contemporânea, e podemos considerar uma das suas principais contribuições:

  • a noção de experiência, termo ausente na ortodoxia marxista, que permite perceber e reconhecer as ações humanas fazendo a história.
  • uma história feita por agentes efetivos em que noção de sujeito é estilhaçada e uma nova compreensão da realidade humana proposta.
  • não se pode mais falar em experiências cotidianas “herdadas ou partilhadas” e de “lutas das pessoas” que contribuem para seu fazer-se.
  • a experiência econômica indica a classe, embora envolva também as experiências cotidianas culturais, as ideias, as tradições e os valores das pessoas, a determinação é econômica.
  • outras grandes áreas de interesses e objetos são os modos de organização social, as relações conflituosas ou interativas entre os grupos sociais no interior de uma sociedade, os excluídos e as biografias.
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