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#1931524

Se a Ilíada e a Odisseia podiam ser devidamente consideradas como fontes essenciais da história da Grécia Antiga, em contrapartida, negava-se todo valor à tradição oral africana, essa memória dos povos que fornece, em suas vidas, a trama de tantos acontecimentos marcantes. Ao escrever a história de grande parte da África, recorria-se somente a fontes externas à África, oferecendo uma visão não do que poderia ser o precursor dos povos africanos, mas daquilo que se pensava que ele deveria ser.


(M’BOW, Amadou-Mahtar. Prefácio. In: MOKHTAR, Gamal (ed). História Geral da África: África antiga. Brasília: Unesco, 2010, v. 2, p. XXI)


O trecho acima

  • denuncia a construção das histórias das culturas africanas como se essas fossem um todo homogêneo, ainda que tenha havido algum esforço dos historiadores na utilização de fontes orais.
  • destaca a importância da história oral, contanto que haja sua transcrição, a exemplo do que realizou Homero na Ilíada e na Odisseia, mas aponta a inexistência de fontes primárias para escrever a história da África.
  • critica o eurocentrismo herdado com a valorização excessiva do legado greco-romano e defende que os registros de memória devem substituir a escrita da história para oferecer uma visão verdadeira do passado.
  • mostra o desrespeito que ainda prevalece, na área da História, com relação às fontes escritas da História africana e a manutenção de visões equivocadas sobre a origem dos povos africanos.
  • afirma a importância da oralidade para o estudo das sociedades africanas e critica a idealização e os preconceitos que marcaram substancialmente a escrita da história desse continente.
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