Todos sabemos que para falar a uma criança e ser verdadeiramente ouvido por ela é preciso ter clareza sobre o
que sentimos e o que queremos transmitir. No caso do luto,
nossa dificuldade para lidar com o assunto pode atrapalhar –
e muito – a forma como uma criança que perdeu alguém querido vai reagir. A raiz do problema está na nossa cultura: os
tabus relacionados à morte tornam ainda mais dura a vivência infantil do luto. Nossa tendência é preferir o silêncio para
não enfrentar nossa própria dor nem vê-la refletida no outro.
No Ocidente, a morte ainda é tabu. Quase não falamos
sobre isso e torcemos para que a criança não pergunte e não
tenhamos de responder. O desconforto maior, na verdade,
é do adulto. É parte da nossa cultura a dificuldade de falar
sobre coisas tristes.
Uma proposta que poderia ajudar a quebrar o tabu é a da
psicóloga americana Jessica Zitter. Ela acredita que deveríamos incluir os temas do luto e da morte no currículo escolar.
Mas, até uma iniciativa dessa ser aceita e tornar-se acessível
a toda a sociedade, as crianças verão e sentirão os adultos
lidando de forma problemática com o luto, o que aumentará
ainda mais sua insegurança. Tendo perdido um dos pais, elas
vivem situações como o Dia dos Pais ou o Dia das Mães
na escola. São ocasiões em que a exposição da ausência
intensifica a dor. Sobre isso, vai a primeira provocação: não
seria hora de as escolas eliminarem esses dias e passarem
a adotar – se acharem importante – o Dia da Família? Isso
poderia ajudar muito.
(Rita de Almeida. A infância e a morte. Veja, 03.01.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa que reescreve a passagem “Nossa
tendência é preferir o silêncio para não enfrentar nossa
própria dor nem vê-la refletida no outro.”, de acordo com
a norma-padrão.
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