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#2251186
Texto da Questão:

TEXTO I

Coração numeroso


Foi no Rio.

Eu passava na Avenida quase meia-noite.

Bicos de seio batiam nos bicos de luz estrelas

inumeráveis.

Havia a promessa do mar

e bondes tilintavam,

abafando o calor

que soprava no vento

e o vento vinha de Minas.


Meus paralíticos sonhos desgosto de viver

(a vida para mim é vontade de morrer)

faziam de mim homem-realejo imperturbavelmente

na Galeria Cruzeiro quente quente

e como não conhecia ninguém a não ser o doce vento

mineiro,

nenhuma vontade de beber, eu disse: Acabemos com

isso.


Mas tremia na cidade uma fascinação casas

compridas

autos abertos correndo caminho do mar

voluptuosidade errante do calor

mil presentes da vida aos homens indiferentes,

que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis

choraram.


O mar batia em meu peito, já não batia no cais.

A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu

a cidade sou eu

sou eu a cidade

meu amor.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma Poesia.

O título do poema se justifica, pois:

  • o eu lírico, conquanto demonstre uma inadaptação ao espaço urbano carioca em princípio, valorizando apenas o espaço mineiro, passa a valorizar ambos.
  • não há, segundo o que se constata no poema lido, espaço no coração do eu lírico para ambos os lugares, já que ele se apresenta muito arraigado a Minas.
  • antecipa, de certa forma, o conteúdo do poema, já que não há valorização de ambos os espaços tratados pelo eu lírico.
  • há espaço no coração do eu lírico para a família, os costumes e os amigos de Minas e do Rio de Janeiro.
  • trata-se de uma metáfora para expressar que o eu lírico conquistou vários amores ao longo da vida.
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