As portas do elevador estacionado no térreo
já se fechavam quando, numa corrida rápida, coloco o
braço no rumo do sensor a tempo de fazê-las
reabrirem. Entro ainda ofegante no cubículo vazio,
não sem antes soltar um “que sorte!” em voz baixa.
Sou apaixonado por elevadores vazios. O
intervalo do térreo até o andar escolhido é sempre o
momento oportuno do dia para dar uma ajeitada no
cabelo no espelho, olhar as mensagens ainda não
visualizadas e respirar. Mas não hoje.
O elevador parou no meu andar, o 25º, mas
as portas não se abriram. Espero, estranhando o
delay, e nada. Alguns instantes depois, o ventilador
de teto para. Era isso: eu estava preso em um
elevador enguiçado.
Desato a tocar o interfone, mas, no lugar de
uma voz humana, só recebo uma luzinha que pisca
insistentemente. Do nada, me vem a palavra
“claustrofobia” – do latim, claustro phobos: medo de
lugares fechados. Eu não tinha aquilo, mas sentia que
meus pulmões já puxavam o ar de maneira irregular.
Sento, levanto, sento novamente, dou voltas
só de meias dentro do cubículo de metal. Exatos uma
hora e cinquenta minutos se passam até que um
funcionário abre a porta, com o elevador já no térreo
e me encontra no chão abraçado às minhas pernas.
Ainda um pouco trêmulo e puxando o ar com força,
caminho até a recepcionista: “Onde ficam as escadas
mesmo?”
Disponível em: https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/oque-vivi-ao-ficar-preso-no-elevador-221327/. Acesso em: 20 maio
2023.
Assinale a alternativa que analisa corretamente o
excerto “Desato a tocar o interfone [...]”.
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