Por longo tempo, jovem demais, estranhei a visão de felicidade que prevalecia em nossa cultura, a recorrência da
noção de uma felicidade efêmera, momento fugidio que mal
faz estremecer a dor contínua. “A tristeza é senhora”, cantava
João Gilberto, e eu cantava junto tentando acompanhar seu
ritmo impossível, mas acompanhando menos ainda o sentimento. Creio ter sido esta a primeira metáfora que admirei na
vida, e a primeira que descartei como imprecisa: “A felicidade
é como a gota de orvalho numa pétala de flor. Brilha tranquila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor.”
Essa mesma lágrima, essa lágrima de orvalho e de amor, não
seria, pelo contrário, a mais linda expressão da tristeza, ela
sim breve e lírica?
Nas práticas de leitura em sala de aula, passagens como
“‘A tristeza é senhora’, cantava João Gilberto...” e “A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor.
Brilha tranquila, depois de leve oscila, e cai como uma
lágrima de amor.” são propícias para a abordagem da
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