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#1586342
Texto da Questão:

    Por longo tempo, jovem demais, estranhei a visão de felicidade que prevalecia em nossa cultura, a recorrência da noção de uma felicidade efêmera, momento fugidio que mal faz estremecer a dor contínua. “A tristeza é senhora”, cantava João Gilberto, e eu cantava junto tentando acompanhar seu ritmo impossível, mas acompanhando menos ainda o sentimento. Creio ter sido esta a primeira metáfora que admirei na vida, e a primeira que descartei como imprecisa: “A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor. Brilha tranquila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor.” Essa mesma lágrima, essa lágrima de orvalho e de amor, não seria, pelo contrário, a mais linda expressão da tristeza, ela sim breve e lírica?

(Julian Fuks. Em: www.uol.com.br/ecoa, 05.11.2022. Adaptado)

Nas práticas de leitura em sala de aula, passagens como “‘A tristeza é senhora’, cantava João Gilberto...” e “A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor. Brilha tranquila, depois de leve oscila, e cai como uma lágrima de amor.” são propícias para a abordagem da

  • intertextualidade, reconhecendo-se que, em novos contextos, elas sustentam novos sentidos pretendidos pelo autor do texto.
  • ambiguidade, reconhecendo-se que, em letras de canções, elas exploram sentidos fugidios e de difícil compreensão.
  • dialogia, reconhecendo-se que, na inserção em um texto novo, elas passam a significar o contrário de seu sentido original.
  • oralidade, reconhecendo-se que, como expressão da cultura popular, elas são carregadas de marcas da linguagem informal.
  • coerência, reconhecendo-se que, como expressões cristalizadas em linguagem poética, independem de sentido contextual.
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