Paciente do sexo feminino, 67 anos, com histórico de Diabetes
Mellitus tipo 2 mal controlado, e infecções do trato urinário (ITU)
de repetição.
Apresentou-se ao pronto-socorro com disúria, polaciúria, dor
suprapúbica e febre (38,9°C). A análise de urina tipo 1 revelou
piúria e nitritos positivos. Uma urocultura foi coletada e o
tratamento empírico foi iniciado com ciprofloxacino 500 mg, via
oral, a cada 12 horas. Após 48 horas, a paciente não apresentou
melhora clínica e a febre persiste.
O resultado da urocultura identificou
Escherichia coli com a
seguinte sensibilidade no antibiograma:
Adicionalmente, o laboratório informou que o isolado é positivo
para a produção de Betalactamase de Espectro Estendido (ESBL),
confirmada por teste fenotípico.
Sobre o caso apresentado, analise as afirmativas a seguir.
I. A falha do ciprofloxacino ocorreu devido à sua baixa
penetração no trato urinário. A
E. coli produtora de ESBL é
resistente a todas as cefalosporinas e carbapenêmicos. A
melhor opção terapêutica seria um aminoglicosídeo, como a
gentamicina, devido ao seu mecanismo de ação na síntese
proteica bacteriana.
II. O ciprofloxacino falhou porque a
E. coli desenvolveu
resistência a ele, apesar do antibiograma indicar sensibilidade,
o que é comum em infecções por ESBL. A ESBL inativa
penicilinas e cefalosporinas, mas não carbapenêmicos. A
classe de antibióticos de escolha para ESBL são os
carbapenêmicos, como o meropenem, devido à sua
estabilidade frente a essas enzimas.
III. A falha do ciprofloxacino, apesar da sensibilidade
in vitro, é um
fenômeno conhecido como resistência fenotípica não
detectada pelo antibiograma padrão. A ESBL inativa apenas
penicilinas. O tratamento de escolha seria a vancomicina, pois
atua na parede celular bacteriana, um mecanismo diferente.
Está correto o que se afirma em