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#3727704
Texto da Questão:

TEXTO I

Sons que confortam 

Martha Medeiros


    Eram quatro da manhã quando seu pai sofreu um colapso cardíaco. Só estavam os três na casa: o pai, a mãe e ele, um garoto de 13 anos. Chamaram o médico da família. E aguardaram. E aguardaram. E aguardaram. Até que o garoto escutou um barulho lá fora. É ele que conta, hoje, adulto: Nunca na vida ouvira um som mais lindo, mais calmante, do que os pneus daquele carro amassando as folhas de outono empilhadas junto ao meio-fio.


    Inesquecível, para o menino, foi ouvir o som do carro do médico se aproximando, o homem que salvaria seu pai. Na mesma hora em que li esse relato, imaginei um sem-número de sons que nos confortam. A começar pelo choro na sala de parto. Seu filho nasceu. E o mais aliviante para pais que possuem adolescentes baladeiros: o barulho da chave abrindo a fechadura da porta. Seu filho voltou.


    E pode parecer mórbido para uns, masoquismo para outros, mas há quem mate a saudade assim: ouvindo pela enésima vez o recado na secretária eletrônica de alguém que já morreu.


    Deixando a categoria dos sons magnânimos para a dos sons cotidianos: a voz no alto-falante do aeroporto dizendo que a aeronave já se encontra em solo e o embarque será feito dentro de poucos minutos.


    O sinal, dentro do teatro, avisando que as luzes serão apagadas e o espetáculo irá começar. O telefone tocando exatamente no horário que se espera, conforme o combinado. Até a musiquinha que antecede a chamada a cobrar pode ser bem-vinda, se for grande a ansiedade para se falar com alguém distante.


    O barulho da chuva forte no meio da madrugada, quando você está no quentinho da sua cama. Uma conversa em outro idioma na mesa ao lado da sua, provocando a falsa sensação de que você está viajando, de férias em algum lugar estrangeiro. E estando em algum lugar estrangeiro, ouvir o seu idioma natal sendo falado por alguém que passou, fazendo você lembrar que o mundo não é tão vasto assim.


    O toque do interfone quando se aguarda ansiosamente a chegada do namorado. Ou mesmo a chegada da pizza.


    O aviso sonoro de que entrou um torpedo no seu celular.


    A sirene da fábrica anunciando o fim de mais um dia de trabalho.


    O sinal da hora do recreio.


    A música que você mais gosta tocando no rádio do carro. Aumente o volume.


    O aplauso depois que você, nervoso, falou em público para dezenas de desconhecidos.


    O primeiro eu te amo dito por quem você também começou a amar.


    E o mais raro de todos: o silêncio absoluto.


MEDEIROS, Martha. Feliz por nada. São Paulo: L&PM Editores, 2011. Adaptado. 

Leia os fragmentos abaixo retirados do segundo parágrafo do texto:


I. “Inesquecível, para o menino, foi ouvir o som do carro do médico se aproximando, o homem que salvaria seu pai.”


II. “E o mais aliviante para pais que possuem adolescentes baladeiros: o barulho da chave abrindo a fechadura da porta. Seu filho voltou.”


Os Pronomes são elementos coesivos referenciais importantes em um texto. A partir disso, pode-se afirmar que os dois vocábulos em destaque cumprem um papel textual e semântico nos respectivos fragmentos em que se encontram, na medida em que foram utilizados para fazerem referência respectivamente aos seguintes elementos: 

  • médico – adolescentes baladeiros.
  • o menino – pais que possuem adolescentes baladeiros.
  • pai – filho.
  • som do carro – barulho da chave.
  • homem – a fechadura da porta.
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