Atenção: o texto a seguir deve ser usado para responder à
próxima questão.
Nasce uma crônica
A moça era bonita, se chamava Fabíola e me perguntou como
nascia uma crônica. Entre outras coisas. Ela era repórter do jornal
da universidade de Ouro Preto e estava me entrevistando, uma
tarefa que eu não desejo a ninguém, enquanto uma câmera de TV
gravava tudo. Dei a resposta de sempre. Qualquer coisa pode
originar uma crônica. Às vezes, há um assunto em evidência que
você é obrigado a comentar. Às vezes, é uma coisa, assim,
impressionista; às vezes, é pura invenção, uma frase que sugere
uma história, ou um cheiro no ar, ou um incidente banal... Os
mistérios, enfim, da criação. Etcetera, etcetera. Não há vezes em
que as ideias simplesmente não vêm? Há, há. Acontece muito.
Com os anos, as ideias parecem que vão ficando cada vez mais
longe, enquanto o seu poder de convocá-las diminui. Você chama
e elas não se aproximam. Você grita por socorro e elas continuam
longe, lixando as unhas. Você espreme o cérebro e não pinga nada.
E hoje nenhum cronista que se respeite pode recorrer ao velho
truque de, não tendo assunto, escrever sobre a falta de assunto.
Ou desperdiçar papel caro e o tempo do leitor com um parágrafo
inteiro só de introdução.
VERISSIMO, Luis Fernando. "Nasce uma crônica". São Paulo. O Estado de
São Paulo, caderno 2, p. 49, 01/05/2003.
Assinale a opção em que a palavra destacada exerce a mesma
função sintática que o termo em destaque no trecho “e me
perguntou como nascia uma crônica”.
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