A atividade garimpeira está longe de ser um problema que atinge
exclusivamente os povos indígenas e, com a omissão do Estado,
ela se firma como uma questão de saúde pública.
A bacia do rio Tapajós se transformou no epicentro do garimpo na
Amazônia, que hoje se espalha como uma epidemia e configura
mais uma grave ameaça ao equilíbrio ecológico do bioma. Nesta
região, para além dos garimpos localizados nas terras indígenas
Munduruku e Sai Cinza, encontramos nada menos que outros 418
garimpos no interior das Unidades de Conservação de Uso
Sustentável e mais 124 nas Unidades de Proteção Integral.
Entre as áreas protegidas, o avanço do garimpo nas terras
indígenas ganha ares de tragédia e é impulsionado não só pelo
crime organizado, que financia a extração e a compra do ouro
explorado desses territórios, mas também pela desorganização
proposital do Estado para enfrentar esta atividade criminosa
dentro destes territórios. [...] Provocado pela resistência dos
Munduruku à destruição do seu território e consequentemente do
seu modo de vida, no dia 15 de setembro, o Ministério Público
Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região
(TRF-1) para que o mesmo obrigue o governo brasileiro a retomar,
em regime de urgência, todas as operações de combate aos
garimpos localizados no interior das terras indígenas Munduruku
e Sai Cinza, no sudoeste do Pará; haja vista que as operações foram
interrompidas após reunião do ministro do Meio Ambiente,
Ricardo Salles [...].
Para além dos impactos ambientais que ameaçam a integridade
ecológica das áreas invadidas, o garimpo está longe de ser uma
questão que prejudica exclusivamente os indígenas, pois promove
uma série de outros impactos que não se restringem ao ambiente
em que a atividade se desenvolve, a exemplo da contaminação por
mercúrio que afeta, por exemplo, as milhares de pessoas que
compõem a população ribeirinha da Amazônia e que se alimentam
periodicamente de peixe, uma vez que os peixes, especialmente
os chamados predadores, atuam como concentradores naturais de
mercúrio, que uma vez acumulado no corpo humano, causa toda
uma ordem de problemas nos rins, fígado, aparelho digestivo e no
sistema nervoso central.
Por tudo isso, não restam dúvidas de que a atividade garimpeira
há muito se estabeleceu como um problema ambiental e de
polícia, mas ainda precisa ser reconhecida sobretudo como um
problema de saúde pública, que impõe mudanças radicais no
modo de vida das populações amazônicas, sejam elas indígenas ou
não. Assim, ações de denúncia e combate ao garimpo
empreendidas pelo povo Munduruku e outros povos não podem
ser ignoradas pelo restante da sociedade brasileira, especialmente
porque tais ações são muito mais que pedidos de socorro, elas
constituem-se num chamado ao debate civilizatório requerido
pelo século em que vivemos. A sociedade brasileira não pode mais
aceitar conviver com uma prática tão nefasta ao meio ambiente e
a todos os brasileiros.
Fonte: https://www.greenpeace.org/brasil/blog/garimpo-na-amazonia-umproblema-de-todos-nos/. – acesso em 06/08/2025
Sobre o emprego do pronome demonstrativo, que inicia o último
parágrafo, pode-se afirmar que ele apresenta a função textualdiscursiva
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