Na tirinha acima, deparamo-nos com uma variedade linguística que faz uso do fonema [R]
em vez do fonema [l], o que, linguisticamente, é explicável frente à proximidade articulatória
de ambas as consoantes. O fenômeno da troca em contexto pós-vocálico já é descrito desde
há muito. Em 1919, no Compêndio de gramática histórica portuguesa, de Joaquim Nunes, o
autor destaca isso, ao dar os seguintes exemplos, verificados na língua popular: “azur”
(azul), “corchão” (colchão), “sordado” (soldado) etc. Tudo isso apoia a produtividade desse
uso em algumas variedades do português brasileiro.
A tirinha ainda expõe um dos possíveis usos com os quais os professores terão que lidar
com vistas a inserir os alunos em situações de letramento, já que a variação pode migrar da
oralidade para a escrita. Em se tratando da variação entre /L/ e /R/, ela não ocorre só em
contextos pós-vocálico – firme e futebor. Ocorre também em outros, a exemplo de chicrete
por chiclete. A seguir, dentre as alternativas, escolha qual representa o mesmo tipo de
variação vista em chiclete.
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