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#3185092

O Atlas da Violência é um documento que busca retratar a violência no Brasil principalmente a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos do Ministério da Saúde. Os dados referentes ao ano de 2021 e divulgados em 2023 mostram que

na contramão da diminuição de homicídios no país, em se tratando dos grupos sociais politicamente minoritários, o período recente foi marcado pelo recrudescimento da violência letal contra negros, indígenas e mulheres. [...] Entre 2012 e 2021, a taxa de homicídios de mulheres mortas dentro da residência cresceu 4,72%, ao passo que a taxa de mulheres vítimas de homicídio fora da residência teve queda de 31,1%. [...] Por fim, é importante salientar o recrudescimento recente da desigualdade na letalidade entre mulheres negras e não negras. A taxa de mortalidade por homicídio de mulheres negras foi de 4,3 por 100 mil mulheres negras, e a taxa entre não negras foi de 2,4 por 100 mil, ou seja, mulheres negras morrem 1,8 vezes mais do que as não negras por homicídio. Entre 2020 e 2021, enquanto a taxa de homicídios para mulheres negras cresceu 0,5%, entre as mulheres não negras houve redução de 2,8%.
CERQUEIRA, Daniel; BUENO, Samira (coord.). Atlas da violência 2023. Brasília, DF: Ipea; FBSP, 2023, p. 4; 9-10. DOI: https://dx.doi.org/10.38116/ riatlasdaviolencia2023. Sumário Executivo. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/12614/1/Livro_RI_Atlas_da_ Violencia_2023_sumario_executivo.pdf. Acesso em: 29 dez.2023. Adaptado.

A partir dos dados do texto, observa-se que a(o)

  • violência generalizada, no Brasil, é um problema endêmico, que vitimiza de forma equivalente vários setores da sociedade, de forma que homens e mulheres, negros e não negros, sistematicamente padecem de seus efeitos.
  • violência de gênero segue sendo um grande problema no país, ainda que os assassinatos de mulheres ocorridos em suas residências, isto é, perpetrados, em sua maioria, por companheiros ou familiares, tenha decrescido de forma significativa nos últimos anos.
  • democracia racial, isto é, o estado de plena igualdade entre as pessoas, independentemente de raça, cor ou etnia, fica evidenciada nos dados do texto, na medida em que não se vê um viés de raça no aumento da vitimização de pessoas no Brasil.
  • diminuição de homicídios no país teve efeitos nos grupos sociais politicamente minoritários, que se beneficiaram, no período recente, pela queda da violência letal contra negros, indígenas e mulheres.
  • risco aumentado de pessoas negras, se comparado a pessoas não negras, sofrerem violência, relaciona-se com o processo histórico brasileiro, que, marcado pelo colonialismo e a escravidão, concorreu para a deletéria naturalização da exclusão social, da discriminação e da subalternidade dos negros na sociedade em nosso país.
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