1 As condições do ambiente são determinantes para a
história genética dos indivíduos, mesmo quando ainda estão
dentro do útero materno. Mais uma prova disso vem de um
4 estudo feito com o material genético de pessoas que
nasceram na Holanda, no fim da Segunda Guerra Mundial,
quando o país passava por um embargo de comida imposto
7 pelos alemães entre dezembro de 1944 e junho de 1945.
Cientistas dos EUA e da Holanda avaliaram o DNA
de 122 pessoas. Metade do grupo estava no início da fase
10 uterina quando o embargo começou (as crianças nasceram
durante o embargo ou logo depois). Os dados delas foram
comparados com os de seus irmãos, que não foram gerados
13 nem nasceram no período de racionamento.
O resultado obtido no estudo, publicado na revista
PNAS, mostra que a falta de comida, nos primeiros meses de
16 gestação, altera o material genético dos filhos. Nenhum
deles, porém, nasceu abaixo do peso ou com algum problema
evidente de saúde.
19 As análises mostraram que o gene IGF2 (fator de
crescimento semelhante à insulina 2) dos holandeses que
tiveram, nos anos 40, suas mães expostas à privação de
22 alimentos passou por um processo chamado pelos cientistas
de alteração epigenética, que é diferente de uma mutação
tradicional. O gene IGF2 dos fetos sofreu a perda de radicais
25 de metila (CH3). A metilação é importante porque ajuda a
silenciar genes que podem ser indesejáveis. No caso do
IGF2, quando ele deixa de ser silenciado, o potente fator de
28 crescimento que ele sintetiza pode ficar mais disponível no
organismo. A conseqüência imediata desse processo é que o
produto do IGF2 pode servir de combustível para o
31 desenvolvimento de tumores no futuro.
O pesquisador Lambert Lumey, principal autor do
estudo, afirmou que o resultado dessa pesquisa “é a prova,
34 mais uma vez, de que o ambiente tem um poder muito grande
sobre os nossos genes”.
Folha de S.Paulo, 28'10'2008, A-16 (com adaptações).
Quanto às idéias e aos aspectos lingüístico-gramaticais do texto, julgue os itens a seguir.
Depreende-se do texto que o ser humano, devido a efeitos de variáveis do ambiente no qual foi gerado, ainda que não aparentes, pode ter sido modificado geneticamente.