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#3219628
Texto da Questão:

Texto 42A2-II



Cunhantã 



Vinha do Pará.


Chamava Siquê.


Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.


Piá branca nenhuma corria mais do que ela. 



Tinha uma cicatriz no meio da testa:


― Que foi isto, Siquê?


Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:


― Minha mãe (a madrasta) estava costurando


Disse vai ver se tem fogo


Eu soprei eu soprei eu soprei não vi fogo


Aí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na brasa 


Riu, riu, riu 



Uêrêquitáua.


O ventilador era a coisa que roda.


Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!


Manuel Bandeira. Libertinagem. In: Manuel Bandeira: poesia completa e prosa.


Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990, p. 216.



Vocabulário:


cunhantã – (tupi-guarani) menina, moça.


piá – menino(a) mestiço(a) de indígena com branco.


tuíra – de cor indefinida, preto desbotado, pardo. 

Tendo em vista que os poetas do Modernismo brasileiro se encarregaram da desconstrução dos mitos do passado para a construção de um nacionalismo crítico, com uma visão consciente e aprofundada da realidade na poesia brasileira, assinale a opção correta relativamente à representação literária do indígena no texto 42A2-II. 

  • A caracterização da menina indígena resulta do contraste entre a ingenuidade e a alegria espontânea da criança e sua condição de vítima do racismo e dos maus-tratos familiares.
  • O tema central do poema é a denúncia da violência praticada contra crianças indígenas na região Norte do país.
  • Por meio da ironia, o poema denuncia o preconceito racial contra os indígenas, uma vez que a menina é caracterizada pela inferioridade física e pela dificuldade de expressão no convívio social de um meio urbano.
  • Com um toque de humor, o poema faz a crítica dos indígenas que abandonam sua língua e seus costumes para se adaptarem à cultura dos brancos.
  • A condição do indígena na sociedade brasileira é retratada no poema de forma lírica, sendo demonstrada sua superioridade moral e cultural em relação aos brancos, representados pela referência a “piá branca” (v. 4).
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