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#2198028

“Quando alguém mencionava, no Brasil dos séculos XVIII e XIX, um africano, o mais provável é que estivesse a falar de um escravo, pois nessa condição amargava a maioria dos homens e mulheres que, vindos da África, aqui viviam. Mas podia também referir-se a um liberto, ou seja, a um ex-escravo. Ou a um emancipado, isto é, um negro retirado de um navio surpreendido no tráfico clandestino. Ou, o que era mais raro, a um homem livre que jamais sofrera o cativeiro. Escravos, libertos, emancipados ou livres, poucos estranhariam as paisagens brasileiras, porque muitas vezes semelhantes às que tinham deixado na África e que se haviam tornado ainda mais parecidas, graças à circulação entre o Índico e o Atlântico de numerosas espécies vegetais, como a mandioca, o milho, o inhame, o quiabo, o coco, a manga, o ananás, o tamarindo, o tabaco, a maconha, o caju e a jaca. Por isso, vir da África para o Brasil era como atravessar um largo rio.”
(SILVA, Alberto da Costa e. Um Rio chamado Atlântico. A África no Brasil e o Brasil na África. Rio de Janeiro: UFRJ Editora / Nova Fronteira, 2003. p. 157).
Acerca da escravidão negra e do tráfico negreiro é correto afirmar: 

  • Entre os principais motivos que levaram ao surgimento do tráfico negreiro, podemos considerar a necessidade de mão de obra barata para as colônias; a falta de trabalhadores para os campos de algodão e cana-de-açúcar no Novo Mundo, a procura de mão de obra para a exploração de minérios nas Américas e a necessidade de pessoas para trabalhar nas plantações de café e cacau na América do Sul.
  • As possibilidades de “ser africano” na América Portuguesa eram muito variadas, e entre elas, a condição de liberto era a mais comum. Esse fenômeno se espalhou tendo em vista que a riqueza gerada pela mineração, ao longo do século XVIII, no Brasil, e desde sempre nas colônias espanholas, por proporcionar aos africanos escravizados maiores chances de adquirirem a alforria.
  • “Vir da África para o Brasil era como atravessar um largo rio”, pode ser compreendida como uma metáfora essa afirmação de Alberto da Costa e Silva, sobre as intensas relações culturais entre o Brasil e a costa atlântica africana.
  • Era possível um africano livre em terras brasileiras, sem jamais ter sofrido o cativeiro, mesmo que essa condição fosse extremamente improvável. Essa condição ocorria somente em áreas coloniais onde existiam extensas áreas de monocultura cuja finalidade era a produção de gêneros tropicais para a exportação.
  • O tráfico negreiro pode ser entendido sob o prisma de uma intensa troca cultural entre Brasil e África, forjadas no bojo do comércio colonial português, e como tal, foi responsável por tornar as respectivas paisagens daquelas duas regiões semelhantes. O entendimento da escravidão como um processo de troca cultural é capaz de mostrar o lado humano e generoso desse processo histórico.
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