Paciente do sexo masculino, 60 anos, 75 kg, com histórico de
hipertensão arterial sistêmica controlada (em uso de losartana 50
mg/dia) e Diabetes Mellitus tipo 2 (em uso de metformina 850 mg
2x/dia), é agendado para uma colecistectomia laparoscópica
eletiva.
A avaliação pré-anestésica revela um paciente ASA II, sem outras
comorbidades significativas. Durante a indução anestésica, após a
administração de propofol e fentanil, o anestesiologista administra
rocurônio 0,6 mg/kg IV para facilitar a intubação orotraqueal e
proporcionar relaxamento muscular para a cirurgia. O
monitoramento do bloqueio neuromuscular é realizado por
aceleromiografia (TOF-Watch), com eletrodos posicionados no
nervo ulnar e músculo adutor do polegar. Após a administração do
rocurônio, observa-se um TOF (Train-of-Four) de 0/4 e PTC
(PostTetanic Count) de 0, indicando um bloqueio neuromuscular
profundo.
Ao final do procedimento, o anestesiologista decide reverter o
bloqueio neuromuscular. É administrado sugamadex 2 mg/kg IV. O
paciente é extubado e transferido para a sala de recuperação pósanestésica (SRPA). Na SRPA, após 30 minutos, o paciente
apresenta queixas de fraqueza muscular generalizada, dificuldade
para tossir eficazmente e saturação de oxigênio de 92% em ar
ambiente, necessitando de suplementação de oxigênio. A equipe
suspeita de bloqueio neuromuscular residual (BNMR).
Sobre o caso apresentado, analise as afirmativas a seguir.
I. A fraqueza muscular residual é decorrente de uma persistente
redução na liberação de acetilcolina dos terminais nervosos
pré-sinápticos, resultando em potenciais de placa motora
submáximos e falha na propagação do potencial de ação
muscular. A conduta mais precisa para confirmar essa
disfunção seria a eletromiografia de fibra única para avaliar a
transmissão neuromuscular, e o manejo envolveria o aumento
da disponibilidade de cálcio no terminal pré-sináptico.
II. A dificuldade respiratória e a fraqueza generalizada são
indicativas de uma disfunção nos canais de sódio voltagem-dependentes na membrana muscular, impedindo a
despolarização adequada e a propagação do potencial de ação
ao longo da fibra muscular. A conduta seria a realização de
estudos de condução nervosa e eletroneuromiografia para
identificar a patologia dos canais iônicos, e o manejo
envolveria a estabilização da membrana muscular. III. A fraqueza muscular residual é resultado da dessincronização
entre a liberação de acetilcolina e a resposta dos receptores
pós-sinápticos, levando a uma falha na transmissão do sinal
excitatório para a fibra muscular. O monitoramento do TOF no
adutor do polegar não reflete a recuperação funcional de
músculos com diferentes limiares de ativação. A conduta mais
precisa seria a avaliação da pressão inspiratória máxima (PIM),
e o manejo envolveria otimizar a transmissão neuromuscular
para garantir a força contrátil adequada.
Está correto o que se afirma em
Autenticação
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