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#3697865
Texto da Questão:

Leia o texto para responder à questão abaixo.


    O homem da loja vizinha invadiu a sala de aula, gritando que os rapazes do “Lar” lhe tinham roubado um rádio.

    O Lar abrigava adolescentes, sem família e sem casa, que acabavam por o abandonar, passado algum tempo, preferindo andar pelas ruas, nas companhias não impostas.

    Colérico, o homem insultava-os, derramando toda a raiva armazenada contra os pequenos delinquentes que, volta e meia, se metiam com ele, mais para o enfurecer do que para o roubar. Pelo menos não tínhamos conhecimento de nenhum roubo, na região, que envolvesse os nossos rapazes.

    Não faziam um gesto sequer para se defenderem do que o comerciante dizia, limitando-se a olhar para um lado e para o outro, como se estivessem a assistir a um jogo de pingue-pongue. Dei comigo tentando seguir os seus olhares e, quando voltei a atenção para o homem, vi que não tinha ouvido as suas falas finais. Pensei que era um exercício que utilizavam para não se chatearem. Possivelmente, quando eu falava, também olhavam para um nada, num truque anti- -chatice. Fiquei furiosa com a descoberta: afinal estava aí a gastar muito do meu tempo, da minha energia, das minhas emoções, e os rapazes desprezavam o que eu dizia!

    Voltou-se-me o bom senso a tempo de ouvir o final da revolta do homem da loja.

    Prometi-lhe procurar o rádio e devolver-lho, caso o encontrasse, e dei a aula por terminada, no silêncio construído.


(Dina Salústio, “Ele queria tão pouco”. Mornas eram as noites. 2002. Adaptado)

A narradora afirma ter ficado furiosa, porque descobriu que os adolescentes do Lar

  • mentiam para ela e para o homem da loja vizinha, uma vez que os roubos eram comuns e eles já não tinham vergonha desses delitos.
  • recorriam ao expediente de olhar para um lugar inespecífico com o intuito de vencer uma situação maçante a que estavam expostos.
  • roubavam o homem da loja vizinha de forma recorrente e, além do mais, importunavam esse senhor, deixando-o em estado de fúria.
  • ignoravam seus esforços para torná-los educados, o que lhe exigia tempo, energia e emoções e, além disso, era ofendida verbalmente.
  • deixavam de se comunicar quando confrontados, em uma clara estratégia para serem respeitosos com os seus interlocutores.
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