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#1986395
Texto da Questão:

                                        Usos da razão


      A imaginação, o que dizer a respeito dela? Meus livros estão aí para provar que eu a tenho. Mas é uma imaginação que está sempre a serviço da razão.

      Ou melhor: que aceita a prevalência da razão. Posso formular assim: a imaginação é o ponto de partida, mas o caminho a partir daí pertence à razão.

      Somos nós que nos afirmamos, por oposição ao comportamento dos animais, seres dotados de razão; por isso, não posso aceitar (e aí entra uma questão ética) que a razão seja usada contra a razão. Nesse sentido, uma razão que não é conservadora da vida, uma razão que não defende a vida, uma razão que (pondo a coisa num terreno mais prático, mais imediato) não se orienta para dignificar a vida humana, para respeitá-la, muito simplesmente para alimentar o corpo, para defender da doença, para defender de tudo o que há de negativo e que nos cerca, e que desgraçadamente é também produto da razão, é uma razão de que se faz um mau uso.

      Se o homem é um ser racional e usa a razão contra si mesmo – um contra si mesmo representado pelos seus semelhantes −, então de que é que serve a razão? Se ela não serve à ética, ela se transforma numa arma destrutiva.

(SARAMAGO, José. As palavras de Saramago. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 134/135) 

Há construção na voz passiva e pleno atendimento às normas de concordância verbal na frase:

  • Precisamos defender-nos de toda e qualquer manifestação negativa do que nos rodeiam, mas para isso faz-se necessário o emprego da razão.
  • Se a razão não nos protege das forças negativas que constitui uma ameaça, não poderiam haver quaisquer vantagens em sermos criaturas racionais.
  • Ao ser dignificada pelo uso ético da razão, a vida dos homens alcança o patamar mais alto da caminhada empreendida em sua arriscada aventura.
  • Não são dos hábitos dos bons escritores dispensar por completo o concurso da razão, se começam um romance valendo-se da plena imaginação.
  • É na inseparabilidade entre razão e ética que muitos autores confiam, para que despontem em seus romances a exaltação dos valores que contam.
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