Um novo estudo comparou 39 alimentos com e
sem glúten para analisar as diferenças reais entre
eles. A conclusão pode ser um choque para quem
está adotando dietas “gluten free” por motivos de
saúde: os alimentos sem glúten contêm menos fibras,
menos proteínas e menos nutrientes essenciais.
O estudo, publicado no periódico Plant Foods for
Human Nutrition, afirma que, devido a essas faltas, os
supostos benefícios da dieta sem glúten, como
diminuição de peso e controle da diabetes, são
exagerados. Além dos problemas citados, os
alimentos sem glúten possuem quantidades de
açúcar mais elevadas em comparação aos que
contém a proteína. Por isso, estão associados a um
aumento do índice de massa corporal (IMC) e de
deficiências nutricionais.
Nos EUA, os produtos sem glúten são definidos
como aqueles que contêm no máximo 20 partes por
milhão de glúten. Em geral, eles não contêm
ingredientes como trigo, centeio, cevada e, às vezes,
aveia. Esses ingredientes são ricos em arabinoxilano,
um polissacarídeo não amiláceo essencial. O
arabinoxilano oferece vários benefícios à saúde,
incluindo a promoção de bactérias benéficas no
intestino, a melhora da digestão, a regulação dos
níveis de açúcar no sangue e o suporte a uma
microbiota intestinal equilibrada.
É curioso notar, entretanto, que um produto
específico se mostrou exceção. O pão sem glúten
com sementes contém significativamente mais fibras
– 38,24 gramas por 100 gramas – do que suas
versões com glúten. O estudo sugere que isso se
deve, provavelmente, aos esforços dos fabricantes
para compensar a deficiência de fibras utilizando
ingredientes como pseudocereais, amaranto e
hidrocoloides de quinoa.
Essas adições, no entanto, mudam muito de região
para região e de fabricante para fabricante, de modo
que não é possível atestar com certeza que qualquer
pão sem glúten tem mais fibras do que um com
glúten.
A princípio, o consumo de alimentos sem glúten só
era indicado para pessoas com doença celíaca ou
com alergia a trigo. No entanto, a partir do final dos
anos 2000, começou a se popularizar na mídia a ideia
de que uma dieta sem glúten poderia trazer
benefícios como a perda de peso e a melhora na
digestão, mesmo para quem não tinha intolerância
diagnosticada.
O crescimento dessa tendência foi impulsionado
por celebridades, influenciadores de saúde e livros
como Barriga de Trigo (2011), de William Davis, e A
Dieta da Mente (2013), de David Perlmutter, que
associaram o consumo de glúten a diversos
problemas de saúde. A indústria de alimentos
respondeu lançando ao grande público diversos
alimentos sem glúten e criando um novo nicho — em
2024, o mercado global de produtos sem glúten
movimentou US$ 7,28 bilhões.
Em 2023, uma pesquisa da UESB detectou que, no
Brasil, os produtos sem glúten apresentam menor
teor calórico (5% a 35%), mas também menor teor de
carboidratos (1% a 13%), de gorduras totais (10% a
140%), proteína (35% a 192%) e fibras (11% a 94%),
para a maioria das categorias analisadas. Além disso,
o preço final ao consumidor chega ser até 110% mais
caro quando comparado com as versões com glúten
do mesmo produto, em todas as categorias
analisadas.
Texto adaptado de: https://super.abril.com.br/saude/cortar-o-glutenpesquisa-revela-por-que-essa-pode-ser-uma-ideia-desastrosa/.Acesso em: 14 mar. 2025.
Em “[...] um produto específico se mostrou
exceção.”, o termo em destaque foi utilizado
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