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#3622786
Texto da Questão:

Leia o texto a seguir para responder a questão:

Medo e cautela nas escolas

        O Brasil assiste a uma escalada de violência nas escolas, segundo levantamento publicado na revista Pesquisa Fapesp, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A conclusão, perturbadora, decorre dos registros oficiais de incidentes num período de dez anos, com dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania: em 2013, foram registradas 3,7 mil vítimas de violência interpessoal nas escolas, incluindo estudantes, professores e outros membros da comunidade escolar; em 2023, esse número subiu para 13,1 mil.

        Números como esses ajudam a modular a sensação de medo, insegurança e impotência de pais, alunos, professores e profissionais em geral que atuam com ensino, infância e adolescência. Também são essenciais para pavimentar o caminho da busca de soluções preventivas, incluindo melhor qualificação na identificação de comportamentos e sinais que possam levar a práticas violentas. Revelam-se igualmente relevantes no despertar de autoridades para o sentido de urgência por um maior preparo do País para enfrentar a violência dentro das escolas e em seu entorno. E se transformam, por fim, num elemento a mais de alerta para um público já em sobressalto – o que explica a impressionante repercussão de obras como A geração ansiosa, que detalha os efeitos nefastos do mundo hiperconectado para a saúde mental dos jovens, ou a minissérie Adolescência, que se tornou a mais vista na plataforma Netflix ao gerar debates sobre temas como ódio online, machismo e o impacto de discursos radicais em adolescentes.

        Convém cautela, contudo, para não espalhar brasas onde já existe fogo. Se, por um lado, a arte e os números servem para reduzir o abismo existente entre dois mundos – o dos adultos e dos adolescentes – e, sobretudo, não deixar que a inércia, a incerteza e o desconhecimento deixem prosperar a ideia de que a escola é lugar de perigos e não de aprendizagem e convivência, por outro lado, o risco é de que um caldeirão de conclusões simplificadoras termine por produzir uma espécie de pânico moral, como são chamadas as reações desproporcionais a problemas vistos como ameaça à ordem social.

        Antes, portanto, de inspirar medo generalizado e medidas drásticas – como vigilância e punitivismo em excesso –, os estudos e os debates deles decorrentes precisam fortalecer diagnósticos e soluções baseados em evidências. Assim como os problemas têm natureza múltipla, as respostas também implicam uma soma de complexidades e ações intersetoriais que não comportam vaticínios simplistas. Mas, com ou sem excessos, há pelo menos uma grande certeza: o País não pode ignorar o debate do que fazer com a escola e seus jovens.

(O Estado de S.Paulo, Editorial, 24.04.2025. Adaptado)

Leia o excerto a seguir:
        As relações entre a informação explícita no texto e a informação inferível estabelecem-se por meio de estratégias de “sinalização textual”. Por intermédio delas, o locutor, ao processar o texto, procura levar o interlocutor a recorrer aos seus conhecimentos (textuais, situacionais, culturais e enciclopédicos) e, desse modo, ativar, por meio de inferências, os conhecimentos necessários à construção de sentido.
(Ingedore Koch e Vanda Maria Elias, Ler e escrever: estratégias de produção textual, 2011. Adaptado)

Com base na explicação das autoras, conclui-se corretamente que, na passagem

  • “Também são essenciais parapavimentaro caminho da busca de soluções preventivas...” (2º parágrafo), o verbo destacado, empregado em sentido próprio, enfatiza a dificuldade de se resolver o problema.
  • “Convém cautela, contudo, para não espalhar brasas onde já existefogo.” (3º parágrafo), o substantivo destacado, empregado em sentido figurado, revela que o problema existente é preocupante.
  • “A conclusão,perturbadora, decorre dos registros oficiais de incidentes num período de dez anos...” (1º parágrafo), o adjetivo destacado, empregado em sentido próprio, ameniza o impacto dos dados estatísticos apresentados.
  • “Números como esses ajudam amodulara sensação de medo, insegurança e impotência de pais, alunos, professores e profissionais em geral...” (2º parágrafo), o verbo destacado, empregado em sentido figurado, intensifica o problema descrito.
  • “Antes, portanto, deinspirarmedo generalizado e medidas drásticas – como vigilância e punitivismo em excesso...” (4º parágrafo), o verbo destacado, empregado em sentido próprio, revela que as pessoas preferem os problemas a suas soluções.
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