O leão, envelhecido, estava doente, acamado em sua caverna. E, à exceção da raposa, todos os demais animais apareciam para visitar o rei. Então, o lobo, aproveitando a oportunidade, denunciou a raposa ao leão – de que não mostrava consideração alguma por quem tinha poder sobre todos eles, e que por isso nem vinha visitá-lo. Nesse instante apareceu a própria
raposa, e escutou as últimas palavras do lobo. O leão então rugiu para ela. Pedindo uma oportunidade para se defender, ela
disse: “E quem entre os aqui reunidos lhe foi tão benéfico quanto eu, que perambulando por toda parte procurei e descobri
junto aos médicos um tratamento para você?”. Tendo o leão ordenado que falasse logo o tratamento, ela disse: “Esfolando o
lobo vivo, vestir a pele quente dele...”. Logo o lobo jazia morto, e a raposa rindo falou assim: “Não se deve incitar o chefe à
malevolência, mas sim à benevolência.”
A história mostra que quem maquina contra o outro volta a maquinação contra si.
(Fábulas, seguidas de Romance de Esopo. Seleção, tradução e apresentação de André Malta, 2017)
De acordo com Bernard Schneuwly & Joaquim Dolz
(Gêneros orais e escritos na escola, 2004), “... a comunicação oral não se esgota somente na utilização de meios
linguísticos ou prosódicos; vai utilizar também signos de
sistemas semióticos não linguísticos, desde que codificados, isto é, convencionalmente reconhecidos como significantes ou sinais de uma atitude”.
Na fábula, uma passagem que sinaliza o emprego de um
meio paralinguístico é:
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