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#3700295

A historiografia do Império foi durante muito tempo matriz do estudo das instituições políticas e do discurso fundador da nacionalidade. Dentro dessa característica ideológica, só se podia endossar a consolidação da hegemonia política das elites que projetaram a nação. Esse projeto homogeneizante consistia numa missão de controle social, disciplinador e civilizador das imensas desigualdades sociais herdadas da sociedade escravista.
(Maria Odila Leite da Silva Dias, Sociabilidades sem história: votantes pobres no Império, 1824-1881. Em: Marcos Cezar de Freitas (org.), Historiografia brasileira em perspectiva, 1998. Adaptado)
Para Dias, essa perspectiva historiográfica gerou

  • a produção de compêndios voltados à análise das ações sociopolíticas das chamadas classes subalternas, como os homens livres não-proprietários.
  • a valorização das mulheres como objeto de análise histórica, destacando aquelas que participaram de eventos cruciais, como a Conjuração Mineira.
  • a prática cultural de destacar pequenas personagens históricas, o chamado homem comum, reconstituindo parte de suas práticas cotidianas.
  • a impossibilidade de documentar a pluralidade, os regionalismos e as conjunturas que envolviam modos de sobrevivência de grupos sociais oprimidos.
  • o acúmulo de um debate da produção histórica sobre a escravidão, especialmente sobre a temática da família escravizada e as diferenças de gênero.
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