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O historiador Fernando A. Novais notou, com grande propriedade, que os lucros derivados da captura dos ameríndios ficavam nas mãos dos colonos. Por outro lado, a acumulação gerada pela conexão africana acabava nas mãos de comerciantes metropolitanos especializados no comércio dessa mercadoria única. Novais chegou a propor que “é começando com o comércio de escravos que é possível entender a escravidão colonial, e não o contrário”. (João José Reis; Flávio dos Santos Gomes. Liberdade por um fio – História dos quilombos no Brasil, 2021. Adaptado)

O fragmento apresenta análise relativa

  • à ideia de que o comércio de escravizados africanos, enquanto forma de trabalho predominante, foi um efeito colateral do sistema colonial e do Antigo Regime.
  • ao mito da “brandura” da escravidão no Brasil, que ganhou força nas obras de Gilberto Freyre e outros, destacando um certo equilíbrio social entre senhores e escravizados.
  • ao conceito de “homem cordial” que é definido, pelo historiador, como um artifício, um ardil psicológico e comportamental do brasileiro, de apropriação afetiva do “outro”.
  • à relação entre o tráfico de escravizados africanos e os interesses da política mercantilista para a coroa portuguesa, por meio da estrutura monopolista do sistema colonial.
  • à escassez de oferta de trabalhadores escravizados indígenas, tanto por sua resistência quanto por sua inaptidão, inclinando a metrópole ao comércio de escravizados africanos.
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