Dizem que o Velho Chico, o famoso rio São Francisco, adormece todos os dias à meia-noite.
E veja só: é nessa hora que as almas das pessoas que se afogaram em suas águas viajam para o céu.
É também depois das doze badaladas noturnas do relógio que a Mãe d’Água, outra habitante das profundezas do Velho Chico, vem à tona para enxugar seus longos cabelos. Sentada na pedra, ela observa, em silêncio, o sono do rio. Por alguns minutos, os peixes ficam paralisados; as águas, estagnadas; as cobras não dão bote, nem soltam veneno; o tempo parece não existir.
Ah, e é nesses instantes de calmaria que os pescadores, espertamente, aproveitam para encher suas redes sem muita dificuldade. Mas o encanto dura pouco. Num lampejo, o rio desperta e pode até ficar furioso! Para testar se o Velho Chico está dormindo ou acordado, é preciso jogar um pedacinho de madeira na água à meia-noite. Se o graveto ficar parado, é melhor esperar o rio acordar para puxar a rede, porque o pescador que não respeita o sono do rio pode ter o barco afundado e nunca mais voltar.
Melhor deixar o rio dormir em paz.
(Lenda contada pela população ribeirinha do São Francisco, adaptada pela Revista Ciência Hoje das Crianças. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a reescrita da frase “Sentada na pedra, a Mãe d’Água observa, em silêncio, o
sono do rio.” (3o
parágrafo) mantém-se fiel ao sentido
original do texto.
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