Para que serve a imprensa, afinal? Por que o cidadão
não deveria simplesmente substituir os jornais pelos aplicativos de mensagem da vida? A resposta é: a imprensa é o
único método social capaz de ajudar o público a examinar,
com base nos fatos, o exercício do poder. Não há, em qualquer modelo de democracia conhecido, outra instituição que
entregue esse serviço para a sociedade. As redes sociais não
fazem isso. Não apuram os fatos e não fornecem relatos confiáveis para abastecer o debate político mais consequente.
A imprensa nos entrega ainda outro benefício. Ela expande na prática a liberdade de expressão e o direito à informação. Com isso, dá mais vigor à política democrática.
Portanto, se trocassem as redações profissionais por
redes sociais, os cidadãos renunciariam a tudo aquilo que
faz deles cidadãos e se reduziriam a meros espectadores
do entretenimento generalizado. Estariam trocando uma
assembleia por um programa de auditório. Em outras
palavras, estariam deixando de lado o diálogo amparado em
balizas racionais e abandonando o debate entre argumentos para embarcar no fanatismo. O barulho das redes, em
lugar de contribuir para identificar os fatos, só faz soterrá-los
e condená-los ao esquecimento.
(Eugênio Bucci, “Sobre a barulheira e a verdade dos fatos”.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/eugenio-bucci/
sobre-a-barulheira-e-a-verdade-dos-fatos/. 29.06.2025. Adaptado)
Na opinião do autor, em uma sociedade democrática, a
imprensa é a única instituição capaz de
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