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#3619546
Texto da Questão:

Leia o texto a seguir para responder a questão:

Uma viagem de saudades

        Ela saíra aos dezessete anos, trinta anos atrás. Deixou noivo e uma promessa de emigrarem juntos para a América logo que voltasse da viagem que duraria três meses. Ia conhecer o pai, que, por causa de uma hipótese de traição, tinha jurado nunca mais voltar à ilha Brava.

        Dos três meses iniciais a ausência durou trinta anos e três dias. Voltava agora. Intacta. Para casar com o primeiro namorado, moço bonito, branco e de cabelo fino; tão fino como qualquer francês. Voltava e nunca mais, em nome de coisa nenhuma, se separariam.

        Contou-me todos os sonhos da sua juventude, os segredos, os jogos partilhados com o noivo, as esperanças e as certezas.

        Era a primeira vez, naqueles anos todos, que falava do assunto e abria o coração, porque dantes não valia a pena.

        Mas agora que estava tão perto da ilha Brava, só lhe apetecia falar dele, dele e mais dele e da certeza de se casarem que sempre guardou.

        Disse-me o nome do homem e teve que o repetir umas duas vezes para eu o ligar à pessoa que conhecia, atarracado pelos anos e pelas gorduras, careca, avermelhado pelo grogue*.

        Não disse nada à rapariga de dezessete anos, que estava à minha frente trinta anos depois.

        Ela casara em França, foi feliz, foi infeliz, viveu e morreu como todos nós nesses anos todos; mas era como se o tempo lhe tivesse poupado o coração; como se a esperança não tivesse sofrido um lanho* que fosse, enquanto estivera ausente.

        Podia ter-lhe dito que voltasse para a França, para junto da filha e dos netos e que esquecesse os antigos amores que só devem existir na lembrança guardada, mas fiquei calado e nem pude sorrir para ela e desejar-lhe sorte quando se levantou do caixote para embarcar no Furna a caminho da sua ilha e do seu homem.

        Nunca mais a vi. Nem gostaria de a ter visto. Para que saber de anseios sem resposta.

(Dina Salústio. Mornas eram as noites. Adaptado)

*Grogue: aguardente.
**Lanho: ferimento.

A reescrita de informações do texto atende à norma-padrão de regência em:

  • Ia conhecer o pai, que, devido uma hipótese de traição, tinha jurado nunca mais retornar na ilha Brava.
  • Era a primeira vez, naqueles anos todos, que fazia referência o assunto a que tanto ansiava o seu coração.
  • Agora que estava indo na ilha Brava, só lhe apetecia falar dele, dele, com a certeza que se casariam.
  • Podia ter-lhe dito que regressasse à França, e ficasse só com as lembranças de amor que tivesse do passado.
  • Repetiu umas duas vezes ao nome do homem, e eu fiz associação sob ele para lembrar da pessoa conhecida.
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