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#3047251
Texto da Questão:

O maçarico



           Naqueles longes tempos, ele era vítima de um cirurgião- -dentista que, de repente do outro lado da sala de café, da outra extremidade do bonde, da calçada oposta, lançava intempestivamente o seu vozeirão:


         – Como vai a poesia?


       Todas as cabeças que se achavam de permeio1 voltavam-se então para o Poeta. O Poeta, nu, desmascarado, em meio à multidão! Para evitar esses atentados ao pudor, ele afinal descobriu um meio de fazer a pergunta antes que o outro a fizesse. Mal avistava o dentista, e antes que o mesmo erguesse as trombetas da sua voz, que não soavam propriamente como as trombetas da Fama, mas como as cornetas fanhas da Difamação, bradava o alvissareiro Poeta: – Como vai o maçarico? As cabeças de permeio voltavam-se então escandalizadas ou irônicas para o cirurgião-dentista. Não porque fosse uma vergonha utilizar esse útil instrumento, mas porque maçarico era mesmo uma palavra muito engraçada, uma palavra que rimava com a dança do sarapico-pico-pico e com surubico. O resultado de tudo isso foi que os papéis se inverteram: o dentista pegou medo do poeta.   


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013)


1 permeio: no meio

Na história, o Poeta é vítima do cirurgião-dentista porque este

  • queria ouvir novas poesias e aquele era tímido para recitá-las ao público.
  • sofria nos atendimentos que aquele lhe prestava como profissional.
  • expunha a presença daquele em público, normalmente o constrangendo.
  • denunciava que aquele estava nu, e a multidão repudiava a falta de pudor.
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