Quando me queixo por algum pequeno mal-estar, o homem
com quem vivo diz: “Você está viva”. Significa: “Se você passa
algum tempo sobre esta terra, o material vai se desgastar. Quer
dizer que está viva: não reclame”. É uma filosofia pragmática
que acho inexplicável: eu, como quase todos, fui educada para
ser imortal.
Al Alvarez escreve em seu livro En el Estanque (diario de
un nadador): “Outro indício da velhice é a gratidão que sentimos diante de qualquer um que perceba que ainda temos
alguma importância”. Enquanto eu o lia, vi alguns filmes e
seriados que também tratam da velhice. Engenhos ficcionais
que falam de limitações físicas, do terror à morte e à doença.
Mas, na vida real, não falamos dessas coisas. Na verdade,
inventamos mais e melhores eufemismos para nos referir à
velhice: terceira idade, adultos idosos.
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde),
entre 2015 e 2050 a população mundial com mais de 60 anos
passará de 900 milhões a 2 bilhões de pessoas. Seremos
muitos, mas vamos em direção à velhice sem saber – sem
querer saber – como.
Uma expressão que poderia ser acrescida à sequência
destacada em “Na verdade, inventamos mais e melhores
eufemismos para nos referir à velhice: terceira idade,
adultos idosos.” (2º parágrafo), preservando a mensagem original, é
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