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#2280146

Extremamente manobráveis, as pirogas e outros barcos africanos eram a um só tempo rápidos e tinham capacidade para carregar até uma centena de guerreiros. Um primeiro alerta foi dado em 1446, advertindo os portugueses de Nuno Tristão do perigo que representavam as flotilhas da Senegâmbia. Sua expedição teve uma triste sina, e outras passaram pela mesma experiência, até que o rei de Portugal enviasse Diogo Gomes para negociar as condições de um entreposto no litoral. Ora, o Mali e seus vizinhos dominavam todo um sistema de rios e riachos em torno do Níger, do Senegal, da Gâmbia, e foi a ação concertada das flotilhas armadas que barrou os invasores. Foi também essa resistência militar que obrigou os europeus a negociar a maneira de fazer comércio com as populações. Assim, o rei do Congo comunicou a João Afonso, um negociante português a serviço de Francisco I, as condições em que ele poderia penetrar no Zaire. Um tratado devidamente negociado está na origem da primeira feitoria dos portugueses em Angola (1571), onde também foi controlado o comércio dos portugueses naquelas regiões, em especial o tráfico negreiro. (Marc Ferro. História das colonizações – Das conquistas às independências – século XIII a XX.)

A partir do excerto e das discussões presentes na obra citada, é correto afirmar que Portugal

  • perdeu o interesse em avançar na ocupação territorial na África, a partir da sua chegada à América, por causa do rendoso comércio realizado com o açúcar do Brasil.
  • desistiu da sua presença na África por causa da forte resistência militar praticada por muitos povos desse continente, situação que diminuía muito os lucros auferidos com a produção de gêneros tropicais.
  • teve dificuldade em penetrar e estabelecer domínios territoriais em virtude da capacidade de vários povos da África negra em se defender dos seus interesses expansionistas.
  • reforçou o seu interesse sobre Calicute e outras regiões nas Índias, porque as feitorias na costa africana atlântico tornam-se pouco lucrativas diante dos novos negócios estabelecidos no Oriente.
  • não tinha interesse em interiorizar a sua presença em território africano, porque o que havia de mais valioso era o comércio de manufaturas, que era realizado por meio das feitorias.
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