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#2137316
Texto da Questão:

Leia o texto para responder à questão.


Escolas fazem diferença?


        As matérias são ministradas em inglês, e a mensalidade pode chegar a R$ 10 mil. Estamos falando de uma das novas escolas internacionais que se instalaram em São Paulo. Ela se soma a vários colégios bilíngues e a outros mais tradicionais na cada dia mais acirrada disputa pelo público endinheirado.
         Vale a pena gastar tanto com educação? O que a escola agrega ao conhecimento do aluno? Essas são questões que vêm despertando o interesse de pesquisadores desde os anos 60, quando James Coleman mostrou que a extração familiar e a condição socioeconômica do estudante eram fatores mais importantes para explicar seu desempenho acadêmico do que variáveis mais específicas como a qualidade dos professores, investimento por aluno etc.
       Isso já explica parte do segredo do sucesso das escolas de elite: elas são boas porque recrutam alunos mais ricos, que tendem a sair-se melhor do que a média dos estudantes. E o que acontece quando você põe um desses alunos de elite numa escola normal? Seu desempenho piora?
      Essa é uma pergunta mais traiçoeira, já que depende muito do tipo de estudante de que estamos falando e da escola.
        De todo modo, um belo trabalho de 2011 de Atila Abdulkadiroglu mostrou que, ao menos no caso de bons alunos, a escola não faz diferença. Ele comparou o desempenho de alunos que conseguiram entrar nas concorridíssimas “exam schools” de Nova York e Boston com o daqueles que por muito pouco não passaram e tiveram de contentar-se em estudar em colégios normais. No final, os dois grupos se saíram igualmente bem no SAT, o Enem dos EUA.
         Escolas, vale lembrar, atuam numa via de mão dupla. Elas dão conhecimento aos alunos, mas também extraem algo deles: a sua excelência.


(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 14.04.2018. Adaptado)

O autor do texto cita a obra de Atila Abdulkadiroglu

  • para criticar o despreparo das escolas particulares tradicionais, que têm sistematicamente perdido espaço para as recém-chegadas instituições internacionais de ensino.
  • como estratégia para defender o ponto de vista sustentado ao longo do texto, segundo o qual o que determina o nível da aprendizagem é a qualidade dos professores.
  • como argumento para defender que o aproveitamento acadêmico estaria menos relacionado à instituição de ensino do que às condições que favorecem a aprendizagem.
  • para argumentar que mesmo alunos que hipoteticamente tiveram excelente aprendizado, em instituições de ensino renomadas, podem falhar em testes padronizados.
  • para refutar a ideia corrente de que bons alunos, ainda que alocados em ambientes insalubres de ensino, conseguiriam ter bom rendimento acadêmico.
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