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#3437973

Leia a narração:

“uma criança branca pergunta à educadora se ficará suja se pegar na mão de outra criança negra, a educadora que também era negra contou o caso sorrindo e disse à criança “que é claro que não, todo mundo é igual”; um monitor relembra o dia em que um grupo de meninas brincava “de casinha” e, dentre elas, a menina negra, a qual ele denominou “a de pele mais escura” fazia o papel de empregada doméstica, ele resolveu intervir sugerindo que as meninas trocassem de papéis, mas elas abandonaram o jogo e quando ele se afastou, elas retomaram a brincadeira com a mesma divisão de papéis; a linguagem usada pelas educadoras ao definir as crianças que passavam por episódios preconceituosos: “cabelo ruim” ou “mas essa era pretinha mesmo, pretinha que chegava a ser azul de tão preta”. (AFONSO, 1995, p. 17)

Para que esse tipo de comportamento seja superado, práticas promotoras de igualdade racial são necessárias, como:

  • Adquirir uma nova postura frente aos seus alunos de diferentes classes sociais, raças, gêneros, religiões etc., com diversas formas de entendimento de mundo, trabalhando essas diferenças no ambiente escolar, em contraposição à visão hegemônica de aluno que, na maioria das vezes, não corresponde ao aluno que se tem em sala de aula, pois a questão racial perpassa a instituição escolar desde a educação infantil.
  • Assumir que as crianças nessa faixa etária conseguem apresentar uma percepção das diferenças raciais, tendo, a partir dessa idade, atitudes com sentido de acolhimento em relação aos que diferem de suas características físicas, demonstrando desnecessidade de intervenção pedagógica que vise à destituição de atitudes de discriminação em relação aos colegas.
  • Admitir que a junção de escola e outros equipamentos centralizadores e difusores de sentido e de estética, entre eles a mídia, refletem um modelo estético diversificado, bem como um modelo de “saúde” veiculado e produzido incessantemente como a aceitação do diverso, do diferente, de acolhimento que deve ser perseguido por todos.
  • Ratificar a difusão de que as crianças negras vivem diversas experiências que as levam a constituir, sempre, uma autoimagem positiva, revelando que há um tratamento diferenciado em relação às crianças negras e brancas, baseado em uma linguagem não-verbal, por meio de atitudes, gestos e tons de voz que enfraquecem o racismo e a rejeição por parte das crianças negras em relação ao seu pertencimento racial.
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