Leia o texto para responder a esta questão. Abraço Caudaloso. Amizade entre cronistas é um perigo: todo papo esbarra em crônica, já que toda crônica é uma espécie de
papo. Foi numa conversa com o Antonio Prata, meu ex-amigo-platônico - “ex” não por não ser mais amigo
mas por não ser mais platônico - que a bola começou a quicar. “Isso dá uma crônica”, ele disse. Mas
nenhum dos dois escreveu, por escrúpulos de estar roubando a ideia do outro. Eu, que tenho menos
escrúpulos e menos ideias, resolvi escrever. Palavras, percebemos, são pessoas. Algumas são sozinhas: Abracadabra. Eureca. Bingo. Outras são
promíscuas (embora prefiram a palavra “gregária”): estão sempre cercadas de muitas outras: Que. De.
Por. (...) Algumas palavras dependem de outras, embora não sejam grudadas por um hífen - quando têm hífen
elas não são casadas, são siamesas. Casamento acontece quando se está junto por algum mistério.
Alguns dirão que é amor, outros dirão que é afinidade, carência, preguiça e outros sentimentos menos
nobres (a palavra engano, por exemplo, só está com ledo por pena - sabe que ledo, essa palavra
moribunda, não iria encontrar mais nada a essa altura do campeonato). DUVIVIER, Gregório. Abraço caudaloso. Folha de São Paulo, 02 fev. 2015 (Com adaptações). Da análise da crônica “Abraço caudaloso”, é adequado afirmar que a conjunção destacada no último
parágrafo exerce função:
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