O texto a seguir é um fragmento do cordel Gentileza, extraído da obra Poesia com Rapadura
de Bráulio Bessa (2017)
GENTILEZA
Gentileza não é obrigação,
não é regra, não é ordem, não é lei.
É semente que se planta em qualquer chão
E do nada nasce um pé de gratidão
Irrigado pelas águas da igualdade,
bate um vento e voam folhas de bondade,
num instante se espalha em todo canto.
Gentileza não é cara e vale tanto,
Ser gentil é ser rico de verdade.
Do ponto de vista estilístico, há um paralelismo sintático em que o sujeito Gentileza, é
expresso no primeiro verso e retomado anaforicamente no segundo verso, nas três orações:
Ø não é regra, Ø não é ordem, Ø não é lei, ou seja, a interpretação de Gentileza é assegurada
como sujeito deixando o espaço vazio (anáfora Ø), o que assegura a simetria inclusive da
concordância verbal. Já no sexto verso, há uma construção também possível no português,
contudo não tão produtiva, o que requer atenção para com a concordância entre sujeito e
verbo.
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