[...] O Brasil tem dessas coisas, é um país maravilhoso, com o português como língua oficial, mas cheio
de dialetos diferentes.
No Rio de Janeiro, é “e aí merrmão ! CB, sangue bom!" Até eu entender que merrmão era “meu irmão"
levou um tempo. Para conseguir se comunicar, além de arranhar a garganta com o erre, você precisa
aprender a chiar como chaleira velha: “ vai roláumaschparadaschischperrtasch".[...]
Em Mins, quer dizer, em Minas, eles engolem letras e falam Belzonte, Nossenhora, Doidemais da
conta, sô! Qualquer objeto é chamado de trem. Lembrei daquela história do mineirinho na plataforma da
estação. Quando ouviu um apito, falou apontando as malas: “Muié, pega os trem que o bicho tá vindo".[...]
Mas o lugar mais interessante de todos é Florianópolis, um paraíso sobre a terra, abençoado por Nossa
Senhora do Desterro. Os nativos tradicionais, conhecidos como Manezinhos da Ilha, têm o linguajar mais
simpático da nossa língua brasileira. Chamam lagartixa de crocodilinho da parede. Helicóptero é avião de
rosca (que deve ser lido roschca). Carne moída é boi ralado. Se você quiser um pastel de carne, precisa pedir
um envelope de boi ralado. Telefone público, o popular orelhão, é conhecido como poste de prosa e a ficha de
telefone é pastilha de prosa. Ovo eles chamam de semente de galinha e motel é lugar de instantinho.[...]
(RAMIL, K. Tipo assim. Porto Alegre: RBS, 2003.)
As variedades linguísticas constituem sistemas adequados à expressão das necessidades comunicativas e
cognitivas dos falantes, refletindo diferenças de várias naturezas. O texto aborda variedade
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